Princípios

A abordagem complexa dos saberes locais, isto é, das compreensões e práticas distintas sobre o mundo natural , emerge do contexto de crise paradigmática da ciência moderna e da necessidade de abertura ao diálogo com outros saberes. Incluímos nessa categoria o patrimônio material e imaterial de coletividades que, desde seus territórios, buscam resistir e reafirmar suas identidades frente à modernização e racionalização de suas realidades . Parte-se, portanto, da necessidade de abertura ao diálogo com outros saberes; a abordagem complexa, nesses termos, deve possibilitar a compreensão do saberes locais sobre o mundo natural apoiando-se em na união de métodos e técnicas oriundos de outros ramos científicos (da psicologia, da antropologia, da sociologia, da linguística, da ecologia, da geografia, etc.) de forma a permitir a interpretação das narrativas (da ciência e dos sabres locais) acerca da subjetividades dos fenômenos espacial (o território da comunidade) e temporal (o tempo social e biológico) que configuram a sociobiodiversidade de territórios tradicionais e alternativos.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Interconexões, Faxinal e Prefeituras Reunem-se para definir estratégias de saúde para comunidades rurais de fronteira

REDE CASLA-CEPIAL, FAXINAL E PREFEITURAS REUNEM-SE PARA DEFINIR ESTRATÉGIAS PARA A SAUDE DAS COMUNIDADES RURAIS DE FRONTEIRA

           Ocorreu na quarta-feira dia 20 de junho de 2018, às 14 horas na Prefeitura Municipal de Ponta Grossa a reunião com os Secretários Municipais de Saúde de Ponta Grossa e do município de Campo Largo, sendo  representados concomitantemente pelo Secretário Adjunto de Gestão em Saúde Robson Xavier da Silva e Sandra Neves, enfermeira responsável pela região rural do município de Ponta Grossa, do outro lado estavam a Secretária Municipal de Saúde  Chrystiane Barbosa Pianaro Chemin, além da secretária adjunta de saúde, secretaria da vigilância sanitária e ainda a enfermeira responsável pelas unidades de saúde da zona rural de Campo Largo.


Na foto 1, da esquerda para a direita, Marli Chagas, vice-presidente da Associação do Faxinal de Sete Saltos, Ronir de Fátima, pedagoga/UEPG, enfermeira e secretária adjunta de saúde de CampoLargo, Sandra Neves e Robson Xavier, secretário adjunto de Saúde de Ponta Grossa, ao seu lado enfermeira e Chrystiane Chemim, secretária de saúde de campo Largo.



Mulheres faxialenses de Sete Saltos de Baixo e da comunidade de Sete Saltos de Cima (antigo faxinal) estavam presentes na reunião juntamente com os acadêmicos do Grupo de Pesquisa Inteconexões da UEPG - Prof. Dr. Nicolas Floriani (coordenador da equipe de extensão Interconexão da Universidade Estadual de Ponta Grossa/UEPG) e Pedagoga Ms. Ronir de Fátima Gonçalves Rodrigues/UEPG - integrantes da Rede CASLA-CEPIAL.

A solicitação para a referida reunião advém pela dificuldade enfrentada pelos faxinalense do Sete Saltos de Cima, representados pelos membros da Associação do faxinal Marilei Ferreira, Marli Chagas, Sônia de Carvalho. As mesmas já haviam realizado uma reunião na secretaria de saúde de Campo Largo, e para tal solução de seus problemas desencadeou este momento com o secretario de Ponta Grossa.



      Os problemas relativos ao esgotamento da assistência à população local do Faxinal Sete Saltos de Baixo e o antigo Faxinal Sete Saltos de Cima têm como uma das causas o fechamento da unidade de saúde em 2012. Para consulta médica os moradores precisam percorrer um percurso de 8 e 18 quilômetros respectivamente até a unidade mais próxima, cujo atendimento ocorre apenas às quinta-feiras. De tal modo que para coleta de exames laboratoriais e demais necessidades os mesmos estão á 30 quilômetros do Centro Rural Universitário de Treinamento e Ação Comunitária – CRUTAC/UEPG, também é apenas uma vez na semana e para isso existe um ônibus particular que sai ás 6 da manhã da comunidade e retorna às 17 horas, em casos de urgência e emergência os mesmos estão à 60 quilômetros da sede urbana do município.

Perante todas essas dificuldades e devido à proximidade territorial do município de Campo Largo, os mesmos procuram atendimento nas unidades de saúde mais próxima que é na Santa Cruz, Quilombo Palmital dos Pretos e Unidade de Saúde Três Córregos todos subsidiados pelo referido município, sendo assistidos, ademais, com transporte, medicamento, exames, além de consultas diárias.
    
 No entanto, devido à grande procura pelos moradores da fronteira municipal de Ponta Grossa, as unidades de saúde do município de Campo Largo declaram estar sobrecarregando o atendimento, incluindo ainda não poder dar um completo tratamento aos seus pacientes devido a um impeditivo de ordem jurídico, exigindo deste modo um posicionamento da prefeitura municipal de Ponta Grossa. Porém, angustiados os moradores de Sete Saltos alegam ser insuficiente e inviável a utilização do sistema de saúde de Ponta Grossa, dada a perda do espaço físico sofrida no ano de 2012. Vislumbra-se com isso,  as as amarras jurídico-territoriais sofridas pelas populações habitantes das fronteiras municipais de um mesmo estado or não poderem usufruirem de acesso a serviços básicos.


Unidade de saúde da família Manoel Inglez de Lara, localizado no faxinal Sete Saltos de Cima, inaugurado em 2004 e fechado para reforma em 2012 até o momento. 


Devido às más condições físicas da unidade de saúde da família ficou impossibilitado de se prestar atendimento aos 367 moradores do faxinal Sete Saltos Baixo e Sete Saltos de Cima, cujo problema segundo o Secretário Robson Xavier “não existe previsão de reforma para o local, contudo a prefeitura de Ponta Grossa possuí equipe de profissionais para atendê-los”. A secretária de saúde de Campo Largo sempre deu atendimento as comunidades, no entanto, segundo ela “enfrenta dificuldades para acompanhamento de saúde dos moradores do outro município, e em alguns casos precisa dar prioridade para seus assistidos”. Com isso, declarou que poderia “formar parceria com o município de Ponta Grossa, cedendo o espaço físico da unidade de saúde do Quilombo de Palmital dos Pretos para que a equipe de profissionais possa usufruir do espaço há cada 15 dias”.



Na foto, da esquerda para a direita, é possível visualizar secretaria adjunta de saúde de Campo Largo, enfermeira Sandra Neves, secretario de Ponta Grossa Robson Xavier, enfermeira responsável Vigilância Sanitária e secretária Municipal de saúde de Campo Largo Chrystiane Chemin. 

Por isso, para viabilizar a reunião todos os presentes tiveram a oportunidade de diálogo, sendo solicitado pelo secretário adjunto de saúde Robson Xavier a Prefeitura Municipal de Campo Largo que “continue prestando atendimento aos moradores ponta-grossense por mais um mês, tempo que o mesmo se responsabiliza em encontrar uma solução ao perene problema”. 

Desta forma, nós enquanto integrantes do projeto de extensão da Universidade Estadual de Ponta Grossa sensibilizamos com os problemas enfrentados pelas comunidades assistidas e por intermédio de nossas pesquisas, visitas a campo e demais ações anteriores somos consideradas parceiros para eventuais ações em prol das melhorias de vida das/nas comunidades. 

Ademais deste relatado esforço entre poder público municipal, comunidade e academia para se buscar resolver as demandas de saúde da população local, a reunião trouxe também boas expectativas no que tange à concessão do antigo espaço da escola rural (hoje em desuso e que serviu até pouco tempo ao atendimento médico) para a comunidade.

Cabe destacar que a decisão de se resgatar o espaço da antiga escola vem ao encontro dos princípios da REDE CASLA-CEPIAL que é o de viabilizar projetos de desenvolvimento local, tal como o projeto Selo Socioambiental de Produtos da Agrofloresta Faxinalense (aprovado no Âmbito do Programa Universidade Sem Fronteiras da SETI-PR, coordenado pelo prof. Nicolas Floriani da UEPG) e executado entre várias instituições parceiras (UEPG, Ministério Público do Paraná, Instituto Ambiental do Paraná, Juizado do Trabalho do Paraná, IFPR) em comunidades faxinasses do Paraná. Com dita reunião, a prefeitura municipal de Ponta Grossa sinalizou possibilidades concretas de se firmar um termo de comodato da edificação, bem como a cessão de instrumentos clínicos para o atendimento da população local.


Ronir de Fátima Gonçalves Rodrigues  e Nicolas Floriani

segunda-feira, 23 de abril de 2018

II° ENCONTRO ACADÊMICO-COMUNITÁRIO DA UNITINERANTE:

Universidade Itinerante dos Direitos Humanos e da Natureza, pela Paz e pelo Bem Viver.



II° ENCONTRO ACADÊMICO-COMUNITÁRIO DA UNITINERANTE:
"SABERES GEOCOLÓGICOS TRADICIONAIS E DIVERSIDADE SOCIOTERRITORIAL"


Regularmente ofertada, a Disciplina ¨Saberes Geoecológicos Tradicionais E Diversidade Socioterritorial¨, sob a responsabilidade do Prof. Dr. Nicolas Floriani, do Programa de Pós-graduação em Geografia da UEPG, será realizada mais uma vez fora dos “muros¨ da Universidade.

Apoiado pela Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Culturais (UEPG) pelos Programas de Pós-Graduação em Geografia (UEPG) e Meio Ambiente e Desenvolvimento (UFPR), pelo Instituto Federal do Paraná (IFPR, Paranaguá) e outros professores e profissionais voluntários da Rede Casla-Cepial decidiu-se por realizar um período de vivência de uma semana em três comunidades tradicionais paranaenses, beneficiárias do projeto aprovado pelo CNPq (DAS TERRITORIALIDADES TRADICIONAIS ÀS TERRITORIALIZAÇÕES DA AGROECOLOGIAe onde serão trocadas experiências entre acadêmicos e habitantes do Faxinal.

A ideia vem ao encontro dos princípios da UNITINERANTE, projeto idealizado pela Casa Latino-americana (CASLA), que é dar voz aos atores  sociais historicamente inviabilizados pelas instituições formais (sistemas jurídicos, educacionais, democrático, etc), marcados pelo processo de modernização excludente, aproximando-se, com isso, das demandas reais das comunidades vulneráveis e em situação de conflitos socioterritoriais.

Oficina Participativa realizada no 1º Evento Acadêmico-comunitário da UNITINERANTE, em outubro de 2017, no Faxinal Sete Saltos, Paraná

A disciplina contará com a participação des professores, lideranças comunitárias e representantes do poder público e de ONG, buscando colocar em um mesmo patamar de discussão as diferentes narrativas de realidades sociais e territoriais.

O objetivo do evento acadêmico-comunitário é a formação-capacitação de profissionais, pós-graduandos e moradores das comunidades. A finalidade é a produção de material virtual para as comunidades, tal como um site ou blog.

A programação das atividades inclui Oficinas participativas, palestras e  práticas de campo nos referidos território rurais tradicionais, conforme exposto abaixo.



Disciplina PÓS GRADUAÇÃO UEPG-IFPR-MADE 
AGOSTO 2018

Dom 19
Seg 20
Ter 21
Quart 22
Quin 23
sex 24
Sao 25
Dom 26
Local
Guaraguaçu
Guaragaçu
Guaraguaçu
CASLA
CASLA
UEPG
Palmital -Sete Saltos
Palmital - Sete Saltos
Manha
Visita
Oficinas *
Prática de Campo
Reunião da REDE
Palestras
Palestras
Oficinas *
Oficinas *
Tarde
Oficinas *
Prática de Campo
Prática de Campo
Palestras
Palestras
Palestras
Oficinas *
Oficinas *


  • Oficinas:

  • Tema 1) Sistemas de certificação participativa da qualidade dos processos produtivos. Obstáculos e Potencialidades para territórios tradicionais

    Msc: Ronir de Fátima Rodrigues (UEPG):
    Dranda. Sandra Engelmann (IFPR), 
    Drando. Renato Pereira (UEPG),

    Tema 2) Etnopedologia e Manejo Agroecológico da Fertilidade dos Solos.

    Dr. Nicolas Floriani (UEPG) e 
    Drando Wanderlei Marinheski (UEPG), 

    Tema 3) Agrobiodiversidade e Sistemas Agroflorestais: memória biocultural.

    Dra. Margit Hauer (IAP)
    Dr.João Felipe Dremiski (IFPR-Irati)
    Dranda. Cleusi Bobato Stadler (UEPG).

    Tema 4) Cartografias Sociais: geossímbolos e marcadores territoriais.

    Dr. Antonio Haliski (IFPR): Coordenação atividades do Guaraguaçu
    Dra. Tanize Tomasi Alves (UEPG)
    Dr. Ronaldo Ferreira Maganhotto (UNICENTRO)


    • Palestras: 

      Dr. Adnilson de Almeida Silva (UNIR),  
      Dranda. Ivaneide Bandeira Cardozo (UNIR), 
      Dr. Ancelmo Schorner (Unicentro), 
      Dr. Almir Nabozny (UEPG),
      Sr. Acir Tulio (Faxinal Marmeleiro de Baixo),
      Dr. Ezequiel Westphal (IFPR-Paranaguá),
      Profa. Dra. Marilisa do Rocio Oliveira (UEPG), 
      Dr. Saint Clair Honorato dos Santos (MP-PR),
      Dra.Gladys de Souza Sanchez (CASLA), 
      Dra. Cristiane Esbalqueiro (TJT-PR), 
      Prof. Dr. Dimas Floriani (UFPR),
      Pof. Dr. Nilson Cesar Fraga (UEL), 
      Dranda Marisangela Lins de Almeida (UFSC).

Coordenadores
Dr. Nicolas Floriani (UEPG): coordenação da Disciplina
Dr. Antonio Haliski (IFPR): Coordenação atividades no Guaraguaçu;
Dra. Tanize Tomasi Alves (UEPG): coordenação atividades no Palmital Pretos;
Msc. Ronir de Fátima Rodrigues (UEPG): coordenação atividades no Sete Saltos 


As inscrições para a disciplina ocorrerão nos meses de junho-julho de 2018 para alunos regulares e especiais dos cursos de Pós-graduação em Geografia (UEPG) e de Meio Ambiente e Desenvolvimento (UFPR).

Data de Realização: De 19 a 26 de AGOSTO de 2018 
Locais: Ponta Grossa (UEPG), CASLA (Curitiba), IFPR (Paranaguá)



  



sexta-feira, 9 de março de 2018

ALGUNS RESULTADOS DO PROJETO SELO SOCIOAMBIENTAL PRODUTOS DA AGROFLORESTA FAXINALENSE









O projeto  Selo Socioambiental Produtos da Agrofloresta Faxinalense: capacitação sociotécnica e empoderamento jurídico para a inclusão social e geração de renda de populações tradicionais do Paraná, aprovado em 2016, no âmbito do Programa extensionista "Universidade Sem Fronteiras" da Secretaria de Ciência e Tecnologia (SETI-PR)(http://www.seti.pr.gov.br/arquivos/File/Editais/Selecionadas_outubro.pdf) apresenta como objetivos gerais:


  • Promover a capacitação sociotécnica e o empoderamento jurídico e econômico de comunidades tradicionais faxinalenses do Estado do Paraná por meio da criação do Selo socioambiental “produtos da agroflorestal faxinalense”, de modo a viabilizar propostas concretas de inclusão social para o desenvolvimento sustentável dessas coletividades em situação de vulnerabilidade socioterritorial.



Especificamente, quatro comunidades rurais tradicionais faxinalenses foram beneficiárias das ações do projeto de empoderamento e inclusão social: Faxinal Sete Saltos (Ponta Grossa), Marmeleiro (Rebouças), Taquari dos Ribeiros (Rio Azul), Faxinal dos Seixas (São João do Triunfo). Tais comunidades foram indicadas pelo movimento social Articulação Puxirão de Povos Faxinalenses que representa 227 faxinais mapeados entre 2005 e 2008 (SOUZA, 2008).




O projeto contou com a participação da Equipe Técnica, constituída por Dr. Nicolas Floriani (coordenador), Dra. Marilisa do Rocio Oliveira (PROEX-UEPG), Msc. Ronir de Fatima Rodrigues (Pedagoga do projeto), Tamires Benki (Administradora do Projeto) e Miriane Serratto (Estagiária de Geografia). O projeto também contou com importantes parceiros institucionais, tais como: Dr. Saint-Clair Honorato Santos (MP-PR), Dra. Gladys de Souza Sanchez (CASLA), Dra. Margit Hauer (IAP), Dr. Dimas Floriani (MADE-UFPR), Dr. João Dremiski (IFPR-Irati), Dr. Ancelmo Schorner (UNICENTRO-Irati), Msc. Andrea Mayer Veiga (CASLA), Msc. Tiago Augusto Barbosa (Interconexões, UEPG), Msc. Michel Kuller (IEPP). 



Em termos operacionais, o objetivo geral derivou em ações específicas para alcançar os resultados esperados no projeto:
  1. a) Levantamento das potencialidades produtivas e alimentares;
  1. b)  Regularização jurídica das associações comunitárias;
  1. c)  Criação do Selo de Produtos da Agrofloresta Faxinalense;
  1. d) Criação de Sítio Eletrônico de produtos e comunidades envolvidas;
  1. d)  Viabilização de circuitos alternativos de comercialização solidária.

Em termos cronológicos, a distribuição das atividades nos doze meses previstos para o desenvolvimento do projeto foi representada nas figuras a seguir:


Figura 1. Cronologia das atividades previstas e executadas no projeto (2016-2018).


Figura 2. Continuação...


No período de dezembro de 2016 a março de 2018, alguns resultados esperados foram sendo concretizados. No que tange ao item a, dentre o rol de alimentos inventariados nos Faxinais com potencial de produção para venda, figuraram os seguintes produtos:


Figura 3. Alimentos dos Faxinais com potencial de produção para venda (2017).

Do conjunto de Produtos Inventariados e com Potencial Comercial, figuram seis principais produtos em ordem de alimentos mais vendidos, conforme a Figura 4.

Figura 4. Percentual de Produtos Vendidos Por Meio do Projeto


A  Regularização jurídica das associações comunitárias (item bfoi uma ação essencial à continuidade do projeto. Tratando-se do conjunto dos quatro faxinais assistidos, dois deles, o Faxinal do Salto (Rebouças) e Sete Saltos de Baixo (Ponta Grossa), tiveram que passar por processos de regularização contábil e atualização de seus regimentos, de maneira que foram eleitos novos representantes e novas regras discutidas e redigidas. O acordo comunitário foi um tema de extrema importância debatido no Faxinal Sete Saltos de Baixo. A nova a constituição que rege os direitos e deveres dos moradores antigos e novos (chacreiros de origem urbana) passou a ser ampla e exaustivamente discutida. Incluiu-se no debate do novo regulamento deste faxinal, temas como a concessão de parcelas a serem temporariamente cercadas para regeneração da Floresta Nativa, bem como o percentual máximo de área cercada dentro dos estabelecimentos domiciliares (20%). Ademais, foi viabilizado em comum acordo entre o IAP e a Prefeitura Municipal de Ponta Grossa o cadastro ambiental rural das áreas localizadas dentro dos limits do criadouro comunitário. 



  1. Foto 1 . Assembleias gerais do Faxinal Sete Saltos de Baixo (Ponta Grossa) em  2017.

Foto 3. Reunião em Comunidade Faxinalense do Salto, Município de Rebouças-PR.
Foto 4. Oficina Participativa em Comunidade Faxinalense do Salto, município de Rebouças-PR.
Foto 2. Asembleia na Comunidade Sete Saltos de Baixo (Ponta Grossa) em 2017.






No que tange à Criação da Marca (item c), a produção de um Selo buscou representar sinteticamente os aspectos na vida produtiva e paisagística cotidianas de um território faxinalense. Assim, os símbolos da vida tradicional apareceram como fortemente indicados pelo(a)s agricultores(a)s das quatro comunidades: terras, florestas, animais domésticos, água foram dispostos em um mesmo plano continuo.  Destaca-se, por outro lado, que o selo registra a atuação institucional do projeto nas comunidades. No entanto, a marca pode sofrer modificações caso as comunidades assim o decidam conjuntamente.


Figura 3. Selo do Projeto (2017)




No que tange à Criação de Sítio Eletrônico do Projeto (item c), buscou-se produzir um meio de comunicação para publicação das notícias, dos produtos, do modo de vida cotidiana das comunidades envolvidas. A ideia central seria dar um rosto, uma identidade aos produtos comercializados e uma origem e localização geográfica; A ideia de rastreabilidade, transparência e confiabilidade no processo produtivo fundamentou a criação do sitio eletrônico intitulado "Vida Faxinalense". 

Figura 4. Sitio Virtual do Projeto (2017): https://vidafaxinalense.wixsite.com/vidafaxinalense


O item relativo à viabilização de circuitos alternativos de comercialização solidária, é a ação mais importante esperada pelas comunidades e pelas instituições envolvidas no projeto. Não obstante, é uma ação que exige uma série de atores envolvidos em suas respectivas formas de atuação e limitações. As organizações sociais, nesse sentido, foram essenciais à abertura inicial às formas alternativas de comercialização. As feiras de agricultores familiares ligados à agroecologia foram os dispositivos acessados nesse projeto. Outra forma interessante de estabelecer mecanismos solidários de economia foram os eventos acadêmicos na região e na própria comunidade. Não obstante, o poder público municipal foi um agente pouco acessado nesse interim, especificamente as secretarias municipais de agricultura tem um papel importante no acesso a mercados institucionais. Devido ao pouco tempo, o projeto não conseguiu desenvolver essas introduções entre comunidades e mercados institucionais (ex.PAA e PNAE), via poder público municipal. Por outro lado, por meio de reuniões com secretários de agricultura (em Rebouças) e meio Ambiente (Ponta Grossa), foram abertas profícuas vias de diálogo com esses atores sociais. Nesses termos, uma segunda edição do projeto iria privilegiar essas atuações junto ao poder publico regional, concomitantemente ao desenvolvimento do sistema de participativo de certificação da qualidade da produção.


QUADRO 1. Quadro de participações em feiras e eventos acadêmicos com exposição e venda de produtos faxinalenses (2017)



A seguir, é possivel verificar algumas das exposições de produtos faxinaleneses em feiras e eventos acadêmicos.









Por:
Nicolas Floriani
Ronir de Fátima Rodrigues
Tamires Benki