Princípios

A abordagem complexa dos saberes locais, isto é, das compreensões e práticas distintas sobre o mundo natural , emerge do contexto de crise paradigmática da ciência moderna e da necessidade de abertura ao diálogo com outros saberes. Incluímos nessa categoria o patrimônio material e imaterial de coletividades que, desde seus territórios, buscam resistir e reafirmar suas identidades frente à modernização e racionalização de suas realidades . Parte-se, portanto, da necessidade de abertura ao diálogo com outros saberes; a abordagem complexa, nesses termos, deve possibilitar a compreensão do saberes locais sobre o mundo natural apoiando-se em na união de métodos e técnicas oriundos de outros ramos científicos (da psicologia, da antropologia, da sociologia, da linguística, da ecologia, da geografia, etc.) de forma a permitir a interpretação das narrativas (da ciência e dos sabres locais) acerca da subjetividades dos fenômenos espacial (o território da comunidade) e temporal (o tempo social e biológico) que configuram a sociobiodiversidade de territórios tradicionais e alternativos.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

REPRESENTANTES DE COMUNIDADE QUILOMBOLA FALAM À ACADEMIA

por Nicolas Floriani

A convite do Grupo de Pesquisa Interconexões e do Programa de Pós-Graduação em Geografia, representantes de comunidade rural negra falam de suas vidas e da conquista dos direitos territoriais aos estudantes de graduação e pós-graduação de Geografia e História da UEPG, marcando, no dia 03 de junho de 2014, a Universidade (muito pouco permeável às outras racionalidades) com as cores e as narrativas dos saberes e vivências das populações tradicionais.


Mulher, Negra e Agricultora, a líder da Comunidade Rural de Palmital dos Pretos, Elenita Machado Lima e sua irmã caçula Elizabete Machado, falaram nas instalações do Hall Tecnológico da UEPG, aos estudantes e professores de sua história de vida e das dificuldades vivenciadas pelos descendentes de ex-escravos fugidos das grandes fazendas da Região dos Campos Gerais e Primeiro Planalto paranaenses, até a formação da Comunidade Rural Negra de Palmital dos Pretos, localizada a 50 km de Ponta Grossa e de Campo Largo, no Estado do Paraná, Brasil.

Ressaltando as dificuldades vividas pelas famílias no espaço rural, a carência em serviços básicos como saúde, transporte e educação, a exploração do trabalho familiar e infantil na agricultura, o preconceito de alguns moradores vizinhos, Dona Elenita enfatiza as histórias  de superação das desigualdades sociais de seu grupo. Destacou também a recente conquista da comunidade, em 2006, da categoria 'Remanescente de Quilombolas' junto ao poder público por meio da certificação do Grupo de Trabalho Clovis Moura.



Essa titulação marca a emergência de um novo sujeito de direito, que possui um modo de vida e organização socioterritorial ancorados em leis e valores consuetudinários que questionam e desafiam o modelo jurídico convencional, que fundamentado na ordem do privado e do indivíduo ,  reforça a exclusão e a homogeneização das diversidades culturais.


Contrariamente a essa racionalidade hegemônica, a história da relação da comunidade quilombola com as outras comunidades vizinhas e com a natureza (as florestas e águas de seus território) ancora-se em um modo de vida pautado pela solidariedade e pela coletividade. Em que pese os conflitos e perdas, a comunidade rural negra faz questão de pertencer à região, colaborando para a construção de uma identidade tradicional da qual outras comunidades rurais compartilham um modo de vida e visão de mundo específicos (uma territorialidade tradicional) e projetos coletivos.


Na configuração histórica dessa territorialidade aparece, conforme apontou Dona Elenita, a medicina popular como amálgama identitário reproduzido pelas benzedeiras, detentora de poderes que ligam o sobrenatural (os rituais religiosos do catolicismo rústico) ao natural (a biodiversidade) e estes ao sociocultural.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Professor da UNIR palestra sobre
“MARCADORES TERRITORIAIS DO COLETIVO KAWAHIB”


Por Nicolas Floriani

O Grupo de Pesquisa Interconexões teve a honra de receber, no dia 13 de março de 2014, o Dr. Adnilson de Almeida Silva, professor do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), cujos trabalhos de pesquisa têm sido desenvolvidos linha dos saberes tradicionais (etnoconhecimentos) de povos indígenas da região norte do Brasil. 

Neste dia, os integrantes do Interconexões tiveram a oportunidade de assistir à palestra do referido professor, intitulada “Marcadores territoriais do Coletivo Kawahib: uma breve abordagem, na qual desenvolve o conceito de marcadores territoriais, a partir de sua experiência de tese (em 2009) no território  dos indígenas Kawahib, pertencentes ao tronco linguístico Tupi.




Com grande experiência em mapeamentos participativos dos territórios de povos indígenas, busca dialogar a partir do referencial  da Antropologia e da Geografia, com os saberes locais de natureza, traçando pontos comuns e interfaces entre esses grandes sistemas de conhecimento.

Destacando as particularidades culturais e as formas de organização societária de cada coletividade, bem como as formas de relacionamento desses grupos com a natureza e com outros atores sociais da sociedade envolvente, o pesquisador busca abordar a complexidade do tecido social e territorial, com base em conceitos e metodologias desenvolvidas a parir de sua pesquisa de doutorado.

Figura 1.  MAPA MENTAL DA TIUEWW - VISÃO KAWAHIB
Fonte: Autor: Djurip-Ga Jupaú. In: Kanindé. 
Diagnóstico Etnoambiental Uru-Eu-Wau-Wau. 
Porto Velho: Kanindé, 2002 (p.7) apud Almeida Silva (2010).

Os Marcadores territoriais podem ser considerados como um elementos centrais de uma modelo fenomenológico e hermenêutico refinado que sintetiza ideia de espaço vivido e de imaginários coletivos, cujas narrativas estão inscritas na configuração paisagística, condensadas nos  geossímbolos e geoestruturas. Os marcadores territoriais nas palavras do pesquisador aparecem como “representações sociais e espaciais de uma determinada etnia a partir das experiências, vivências e da cosmogonia, permitindo-lhes qualificar a relação de um grupo social com o espaço (a espacialidade)”.


domingo, 2 de fevereiro de 2014

DEFESA DE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO DE INTEGRANTE DO iNTERCONEXÕES



O Grupo de Pesquisa Interconexões parabeniza o recém Mestre Juliano Strachulski pela obtenção do título de Mestre em Gestão do Território concedido pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da UEPG. No dia 31 de janeiro de 2014, Juliano Strachulski defendeu seu trabalho científico de caráter interdisciplinar intitulado "Saberes ecológicos tradicionais da comunidade rural Linha Criciumal, em Cândido de Abreu - PR", perante a Banca acadêmica composta pelos professores Dra. Nilvânia Aparecida de Mello (UTFPR, Campus Pato Branco) e Dr. Antonio Marcio Haliski (IFPR, campus Paranaguá).


O seu trabalho de caráter interdisciplinar, sob orientação do prof. Dr. Nicolas Floriani (UEPG),  tratou de compreender o conhecimento dos agricultores familiares da comunidade rural Linha Criciumal acerca dos processos naturais, tentando descobrir as relações produtivas e simbólicas da relação entre o grupo social e o seu território. Para tanto, lança mão de categorias investigativas e metodologias da geografia, da antropologia, da agronomia, da biologia no intuito de se interpretar a expressão identitária da comunidade com seu território.

Para ter acesso à dissertação de Mestrado "Saberes ecológicos tradicionais da comunidade rural Linha Criciumal, em Cândido de Abreu - PR", redirecione-se ao seguinte link: http://bicen-tede.uepg.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=1084 




quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

CONFIRA O RESUMO DAS ATIVIDADES E FOTOS DO IV ENCONTRO TEMÁTICO DA REDE CEPIAL


RESUMO DAS ATIVIDADES REALIZADAS

por Nicolas Floriani


Pautado nas experiências do I°, II° e III° CEPIAL (1992, 1994, 2012), o Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), membro da Rede Internacional de Cultura e Educação para a Integração da América Latina (REDECEPIAL), coordenada pela Casa Latino-Americana (CASLA) promoveram a realização do Seminário Internacional “SABERES E PRÁTICAS DE POPULAÇÕES TRADICIONAIS DA AMÉRICA LATINA”, realizado nos dias 13 e 14 de agosto de 2013, na cidade de Ponta Grossa, Paraná, Brasil.
Ademais do apoio financeiro da CAPES e da Fundação Araucária, cabe destacar que o Programa de Pós-Graduação em Geografia da UEPG, Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato), o Instituto Federal do Paraná (IFPR), todos integrantes da Rede CEPIAL também apoiaram o evento, possibilitando a vinda de palestrantes oriundos de outros estados do Brasil e de países da América Latina.
Com isso, o evento contou com a presença de representantes de instituições de ensino superior da América Latina (UEMA-Brasil, UEPG-Brasil, ULagos-Chile, UATlaxcala-México e Udel Cauca-Colômbia), do poder público (IAP, ICMBio, CAOPindígena e CAOPDireitos humanos), de movimentos sociais da região (Redes Puxirão Povos Faxinalenses, Quilombolas e Associação Indígenas), e ONGs (Casa Latino-americana, Instituto Equipe de Educadores Populares, Centro Nordestino de Medicina Popular)  com o intuito de refletir sobre as práticas dos atores sociais envolvidos na reafirmação da identidade das populações tradicionais e reconhecimento do direito de apropriação do território.
No decorrer dos dois dias de exposições e debates, no qual participaram cerca de 200 pessoas entre estudantes de graduação e pós-graduação e palestrantes, foi possível visualizar um quadro geral das ações de pesquisa e extensão realizadas pelas universidades, assim como das políticas públicas de reconhecimento e apoio aos direitos das populações tradicionais de regiões da América Latina.
Concretamente, três resultados e desdobramentos foram produzidos no âmbito do evento: i) a publicação dos Anais do evento de resumos expandidos das pesquisas acadêmicas realizadas entorno da temática, sendo apresentados 39 trabalhos durante os dois dias do evento http://sites.uepg.br/ppgg/Public/publicacao/ANAIS_IV_CEPIAL_X.pdf ); ii) a realização da assembleia geral da Rede Internacional CEPIAL, secretariada pela Casa Latino-americana, na qual foram discutidas: a) a participação das entidades integrantes na organização do Congresso Internacional de Educação e Cultura para a Integração da América Latina, a ser sediado pela Universidade de Los Lagos, em janeiro de 2015; b) a organização pela CASLA de 10 livros temáticos, resultante da parceria com a editora da UFPR e da Rede CEPIAL a serem publicados no período de 2014-2015. Especificamente, o evento possibilitou a articulação da organização entre os palestrantes convidados de três livros da referida série: “TERRITÓRIO E SABERES TRADICIONAIS  NA AMÉRICA LATINA (Organizados por Francisco Ther Ríos – ULagos/Chile,  Narciso Barrera-Bassols – UATlaxcala/Mexico e Nicolas Floriani – UEPG/Brasil), “MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO NA AMÉRICA LATINA (Organizado por Dimas Floriani  - UFPR/CASLA/Brasil – Antonio Elizalde – UBolivariana/Chile); e “ETNICIDADE E POVOS ORIGINÁRIOS NA AMÉRICA LATINA” (organizado por Antonio Haliski – IFPR/PR/Brasil – Rosirene Martins Lima – UEMA/Brasil e Juan Carlos Skewes – UAlberto Hurtado/Chile); iii) a organização de dossier especial do periódico académico do Programa de Pós-Graduação em Geografia Terr@ Plural (classificação CAPES qualis B2) com artigos derivados dos resumos expandidos a ser publicado em 2015.

O EVENTO


Ademais do apoio financeiro da CAPES e da Fundação Araucária e Secretaria de Tecnologia e Ensino Superior do Estado do Paraná, cabe destacar que o Programa de Pós-Graduação em Geografia da UEPG, Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato), o Instituto Federal do Paraná (IFPR), todos integrantes da Rede CEPIAL também apoiaram o evento, possibilitando a vinda de palestrantes oriundos de outros estados do Brasil e de países da América Latina.



Figura 1. Mesa de Saudações: representantes das entidades parceiras responsáveis pelo apoio ao evento. Da esquerda para a direita, o Pró-reitor de Extensão do IFPR. Dr. Ezequiel Westphal; sentado à mesa os professores Dr. Dimas Floriani, presidente da rede Internacional CEPIAL, a Dra. Joseli Maria Silva, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UEPG e o Reitor da UEPG, Dr. Luciano Vargas Santana.


Após a saudação dos representantes das instituições parceiras, instalou-se a Mesa-redonda n° 1 “Populações Tradicionais, Territórios e Ecologias na perspectiva latino-americana”, na qual estiveram expondo e debatendo suas experiências de pesquisa e extensão cinco professores de universidades latino-americanas.

Abrindo a mesa-redonda, o professor geógrafo e antropólogo mexicano, Dr. Narciso Barrera-Bassols (Universidade Autonoma de Tlaxcala) expôs a situação política de disputa da Agrobiodiversidade em regiões rurais do México, relatando seu envolvimento com os movimentos sociais camponeses e indígenas pela defesa e reconhecimento dos etnoconhecimentos , enquanto patrimônio biocultural, frente às empresas multinacionais que impõe às regiões rurais mexicanas sua forma de produção e consumo por meio das sementes transgênicas, causando diversos conflitos e problemas de ordem socioambiental.

     Figura 3. Prof. Narciso Barrer-Bassols (UATlaxcala,            México) no IV Encontro Temático da Rede CEPIAL

O antropólogo professor Dr. Francisco Ther Ríos da Universidade de Los Lagos (Chile) relatou suas experiências acadêmicas interdisciplinares desde 2006 junto às comunidades tradicionais de pescadores-agricultores mapuches da região da Isla Grande de Chiloé. A Geoantropologia do Território aparece como conceito aglutinador das experiências investigativas de cunho interdisciplinar do grupo de pesquisa chileno.
       
    Figura 3. Professor Francisco Ther Ríos no IV Encontro Temático da Rede         CEPIAL


O antropólogo colombiano, professor Dr. Bernardo Javier Tobar da Universidade del Cauca, relatou sua experiência junto às etnias indígenas Nasa e Misak no reconhecimento dos mitos e práticas culturais de natureza e das memórias coletivas e individuais dos líderes indígenas, traduzidos e termos literários vernaculares (contos e poesias) acerca da relação desses povos com o processo de modernização das regiões rurais do sudoeste colombiano.

                  Figura 4. Professor Bernardo Javier Tobar da Universidade del                   Cauca, Colômbia no IV Encontro Temático da Rede CEPIAL

O advogado e professor da Universidade Estadual do Maranhão, Dr. Joaquim Shiraishi Neto, trouxe sua experiência de pesquisa e extensão junto às populações tradicionais de sua região. Trabalhando com os desafios legais de reconhecimento dos territórios das quebradeiras de côco e quilombolas frente aos limites paradigmáticos reducionistas do sistema jurídico clássico e a necessidade de introjetar no modelo jurídico a ideia de interculturalidade de maneira a permitir o reconhecimento da diversidade das identidades e práticas coletivas no Direito.

    Figura 4. Professor Joaquim Shiraishi Neto da UEMA, Maranhão, Brasil      no IV Encontro Temático da Rede CEPIAL

O médico e ex-professor da UFPe, Dr. Celerino Carriconde presidente do Centro Nordestino de Medicina Popular relatou sua experiência junto às comunidades rurais do nordeste, destacando um trabalho de mais de 30 anos de valorização dos saberes medicinais populares e formação de uma rede com diversos atores sociais na região e os esforços conjuntos para impulsionar políticas de saúde pública no âmbito regional e federal.


Figura 5. O médico Celerino Carriconde, presidente do Centro Nordestino de Medicina Popular (Pernambuco, Brasil) no IV Encontro Temático da Rede CEPIAL

Na mesa-redonda n° 2 “Populações Tradicionais, Territórios e Ecologias na perspectiva dos Povos Faxinalenses, Quilombolas e Indígenas do Paraná”, estiveram expondo e debatendo suas experiências e estratégias políticas reivindicatórias do reconhecimento dos seus direitos e de reafirmação de suas identidades quatro atores sociais paranaenses: Articulação Puxirão dos Povos Faxinalenses (APF), Movimento das Aprendizes da Sabedoria (MASA), Articulação dos Povos Indígenas do Sul do País (ARPINSUL), Associação Quilombola Invernada Paiol de Telha.


      Figura 5. Da esquerda para a direita, os líderes de movimentos sociais entoando as palavras de luta de seus respectivos movimentos: a benzedeira Ana Maria Santos (MASA); a quilombola Ana Maria Souza (Assoc. Paiol de Telha), o cacique kaingang Romancil Kretã (Aldeia de Mangueirinha, Paraná); e o faxinalense, Amantino Sebastião de Beija (APF) no IV Encontro Temático da Rede CEPIAL.

O dia 14 de agosto de 2013, segundo dia do evento, iniciou com a composição da mesa-redonda n° 3 “Populações Tradicionais, Territórios e Ecologias: estudos regionais e extensão universitária”; nela estiveram presentes representantes de instituições de pesquisa e ensino  do estado do Paraná.
O historiador e professor do depto. De História da UEPG, Dr. José Roberto Galdino Vasconcelos, explanou sobre o estado da arte, os problemas e limitações atuais para o desenvolvimento do ensino superior indígena no Brasil e no Paraná. Dentro dessa mesma temática, as experiências pedagógicas do professor kaingang Florêncio Fernandes no ensino fundamental e médio da escola indígena de Manguerinha-PR foram relatadas.






Figura 6. À esquerda o professor do Depto de História da UEPG, José Roberto Galdino Vasconcelos; à direita, o professor e pedagogo da escola de indígena de Mangueirinha, Florêncio Fernandes no IV Encontro Temático da Rede CEPIAL.

O professor do Instituto Federal do Paraná- campus Paranaguá, Dr. Antonio Marcio Haliski trouxe ao evento sua experiência investigativa sobre os conflitos de saberes e racionalidades socioambientais de agricultores familiares da região de São Mateus do Sul e União da Vitória. Destacou o processo de formação socioespacial particular da região que emerge meio aos conflitos históricos desencadeados pelo processo de modernização, representado pelo conflito armado da Guerra do Contestado. Mostra a importância desse processo histórico na gênese do gérmen de uma ética ambiental traduzida nos mandamentos do Monge João Maria e que permanece na atualidade em alguns discursos e na memória coletiva de populações tradicionais da região.

Figura 7. Professor do IFPR, campus Paranaguá, Dr. Antonio Marcio Haliski no IV Encontro Temático da Rede Internacional Cepial.


Duas pesquisas de doutorado foram apresentadas sobre os saberes e práticas ecológicas e produtivas artesanais de populações tradicionais da região litorânea paranaense e de Chiloé, no sul do Chile: a Dra. Larissa Mellinger falou de sua experiência na pesquisa sociológica e etnográfica junto aos caiçaras da Baia de Guaratuba; o pesquisador chileno da ULagos, Msc. Claudio Gajardo Cortes trouxe os resultados de sua pesquisa comparativa acerca dos saberes da pesca em três comunidades de pescadores tradicionais. 



Figura 8. À esquerda a pesquisadora Dra. Larissa Mellinger; à direita o pesquisador Msc. Claudio Gajardo Cortéz no IV Encontro Temático da Rede CEPIAL

Também explanando sobre sistemas tecnológicos locais, o zootecnista e professor da Universidade Federal do Paraná-Litoral, Dr. Manoel Flores Lesama abordou a questão das Formas Sociais de Apropriação dos Objetos Técnicos no Desenvolvimento Do Trabalho Agroflorestal em Comunidades Tradicionais Litorâneas do Paraná.

Figura 9. Professor Dr. Manoel Flores Lesama da Universidade Federal do Paraná-Litoral, no IV Encontro Temático da Rede CEPIAL

Na mesa-redonda n° 4 “Populações Tradicionais, Territórios e Ecologias na perspectiva do poder público” estiveram presentes os representantes do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça (CAOP, Ministério Publico do Paraná) de Proteção às Comunidades Indígenas e CAOP de Proteção aos Direitos Humanos, respectivamente os Promotores de Justiça do Estado do Paraná Dr. Dr. Olympio de Sá Sotto Maior Neto e Dr. Luis Eduardo Canto Bueno; a diretora do departamento Socioambiental do IAP, Dra. Margit Hauer; o analista ambiental do Instituto Chico Mendes de conservação da biodiversidade (ICMbio), Dr. Francisco Ditzel Faraco; representando o Instituto Equipe de Educadores Populares (IEEP), a historiadora Fernanda Popoaski.

                                
 

Figura 10. Da esquerda para a direita: a historiadora Fernanda Popoaski, representante do Instituto Equipe de Educadores Populares (IEEP); o Dr. Francisco Ditzel Faraco,   o analista ambiental do Instituto Chico Mendes de conservação da biodiversidade (ICMbio); o promotor de Justiça Dr. Olympio de Sá Sotto Maior Neto (CAOP Direitos Humanos); a diretora do departamento Socioambiental do IAP, Dra. Margit Hauer; o promotor de Justiça do CAOP indígena, Dr. Luis Eduardo Canto Bueno.




Após a realização das mesas-redondas, deu-se início na parte vespertina do evento aos Grupos de Trabalhos, contando com a exposição das experiências de pesquisa acadêmica sobre a temática. Num total de 29 exposições foi possível contar com a presença de alunos de pós-graduação e graduação da Unicentro-PR, UEPG, UFPR, UNESP-Ourinhos, UEL, IFPR-Palmas.




Participantes apresentando suas experiências acadêmicas de pesquisa e extensão nos GTS do Evento: à direita Robeto Pocai Filho (PósGraduando em História- UEPG), à esquerda Carla Correia (Graduanda em Geografia – UEPG).


O público participante foi composto em grande parte por estudantes de pós-graduação do Paraná (UEPG, UNICENTRO e UNIOESTE), São Paulo, Santa Cataria e Rio Grande do Sul; professores de instituições de ensino Superior e Institutos tecnológicos compareceram também; estudantes de graduação de geografia, biologia e história da UEPG estiveram presentes no evento.



Figura 11. Inscrições e Credenciamento de participantes no IV Encontro Internacional da Rede CEPIAL.


Os integrantes do Grupo de Pesquisa Interconexões da UEPG participaram da organização do evento, dedicando-se ao acolhimento dos participantes, inscrições, logística e infraestrutura. Destaca-se que os estudantes do Grupo e os integrantes da Casa Latino-americana foram fundamentais para a realização do evento. Destaca-se o agradecimento aos colegas da comissão de organização: da CASLA, Christian de Britto, Alexandre Boing, Nadia Pacher Floriani, Fabiane Mesquita; do GP Interconexões, Tiago Augusto Barbosa, Juliano Strachulski, Myreille K. A. Bobato, Gilliane Gonzales, Max Clarindo, Rodrimar Paes, Jessica Cabral, Andre de Morais, Fábia Oliveira, Ane Carrilho, João Marcos Vogler, Blenda Cironak, Everton Miranda, Alnary da Rocha Nunes.













Figura 12. Comissão de Organização do IV Encontro Internacional da Rede CEPIAL.

sábado, 21 de dezembro de 2013

EVENTO DE EXTENSÃO "CANTORIAS QUILOMBOLAS: UNINDO COMUNIDADES TRADICIONAIS DOS CAMPOS GERAIS

No dia 19 de dezembro de 2013, o GP interconexões em parceria com a PROEX-UEPG, promoveram a reunião de quilombolas na comunidade de Sutil, cidade de Ponta Grossa, Paraná. A ideia do evento era reaproximar familiares descendentes de quilombolas que não tinham mais contato há mais de trinta anos.

O ônibus da UEPG trouxe da comunidade quilombola de Palmital dos Pretos, distrito de Itaiacoca, cerca de 20 moradores da comunidade que foram recebidos pela Sra. Cleuza Machado Lima, vice-presidente da associação de quilombolas do Sutil, em sua casa. 



Após almoço solidário, os participantes da festa se dirigiram à igreja da pequena vila para rezarem e entoarem o terço cantado.

 O terço cantado é considerado como patrimônio da cultura quilombola, cuja tradição permanece ainda viva graças ao interesse de mulheres quilombolas que se preocupam em manter viva a memória religiosa dos antepassados.



Da mesma forma que os saberes da medicina popular e da agrobiodiversidade, o GP interconexões busca promover o apoio ao reconhecimento do patrimônio imaterial e material das populações tradicionais.


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Grupo Interconexões participa de Mesa-redonda e apresenta trabalhos naII Jornada da Questão Agrária

          

O grupo de pesquisa Interconexões estava presente na II Jornada da Questão Agrária e Desenvolvimento, evento promovido pelo NEPEA, CERU e ENCONTRA da UFPR.

Na Mesa-redonda "Povos e comunidades tradicionais: territórios, biodiversidade e saberes tradicionais", encontravam-se os professores Dr. Jorge Montenegro – Geografia/UFPR, Dr. Nícolas Floriani – UEPG, Dr. Gilmar Franzener – UFFS e Dr. Osvaldo Heller da Silva da UFPR, na coordenaçao.

O Prof. Nicolas Floriani, representando o GP INTERCONEXÕES, falou  dos princípios teóricos e metodológicos norteares do grupo. A problemática destacada envolveu conceitos como territorialidades, identidade e reconhecimentos dos direitos das populaçoes tradicionais, saberes locais e conflitos entre atores sociais.



Prof. Nicolas Floriani buscou sistematizar o contexto no qual as pesquisas dos academicos se encontram na região dos Campos Gerais, destacando 12 pesquisas no âmbito da graduação, mestrado e doutorado. Na II Jornada, foram apresentados os trabalhos "Práticas Socioespaciais do Modo de Vida Rural no Contexto Urbano da Cidade de Ponta Grossa, Paraná" de autoria Gilliane Gonzales e Nicolas Floriani   e "Práticas tradicionais faxinalenses: etnoconhecimento da dinâmica florestal na comunidade Taquari dos Ribeiros, Rio Azul- PR" de autoria de Ane Carrilho, Nicolas Floriani e Tiago Augusto Barbosa. 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Prof. Jose Roberto Galdino do Depto de Historia participa do Interconexões

       



No dia 08 de outubro de 2013, o Gp Interconexões teve a honra de receber o Prof. Jose Roberto Galdino (Depto de História da UEPG) que ministrou a primeira aula - de uma série de encontros- sobre comunidades remanescentes de quilombolas, no contexto histórico e geográfico do estado do Paraná. Em sua contribuiçao, o prof. Galdino expôs referencial teórico acerca do conceito de quilombola e sua ressignificaçao e aprpriaçao junto aos movimentos sociais a partir do período de redemocratização brasileira, destacadamente com a constituição federal de 1988.
Apresentou uma série detextos que são referencia acadêmica na área, além de tratar de estudo de caso, como relatório  antropológico, sobre o reconhecimento da territorialidade quilombola no primeiro planalto paranaense, por ele realizado. Além de compartilhar seus valiosos conhecimentos, o prof. Galdino passará a integrar o Interconexões. Nesse sentido, o GP agradece ao renomado professor investigador, fato que enaltece o grupo, incentivando-nos a prosseguir com a pesquisa conectando a universidade às demandas das populações rurais tradicionais.